Quando o assunto é legislação trabalhista, é comum que muitas empresas adotem uma postura de espera. Afinal, projetos de lei podem ser alterados, normas podem sofrer ajustes e discussões que hoje parecem iminentes nem sempre se concretizam da forma inicialmente proposta.
No entanto, a experiência demonstra que as empresas mais bem preparadas não são aquelas que aguardam a publicação definitiva das mudanças para agir, mas sim aquelas que acompanham as tendências regulatórias e utilizam esse tempo para se organizar.
E é exatamente isso que estamos observando em 2026.
Nos últimos meses, dois temas passaram a ocupar espaço relevante nas discussões empresariais: a possível alteração da jornada de trabalho atualmente estruturada na escala 6×1 e as novas exigências relacionadas à gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
Embora sejam assuntos distintos, ambos possuem um ponto em comum: exigem das empresas uma postura cada vez mais preventiva na gestão de pessoas.
No caso da jornada de trabalho, a discussão ultrapassa o debate político e já alcança o planejamento empresarial. Independentemente do formato que venha a ser aprovado ao final do processo legislativo, é inegável que existe uma crescente preocupação social e institucional com a qualidade de vida dos trabalhadores, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e condições de trabalho.
Para muitas empresas, especialmente aquelas que atuam nos setores de comércio, serviços, hotelaria, indústria e atividades que exigem operação contínua, qualquer alteração na jornada poderá produzir reflexos significativos sobre custos, dimensionamento de equipes, escalas de trabalho e produtividade.
Por esse motivo, considero um equívoco tratar o tema apenas como uma discussão que deve ser acompanhada pelo departamento de recursos humanos. Trata-se de uma questão estratégica, que envolve planejamento operacional e financeiro.
Ao mesmo tempo, outro tema vem exigindo atenção ainda mais imediata das empresas: a gestão dos riscos psicossociais.
Durante muitos anos, a preocupação das organizações esteve concentrada nos riscos físicos do ambiente de trabalho. A legislação evoluiu e, atualmente, fatores relacionados à saúde mental dos colaboradores passaram a ocupar posição de destaque nas políticas de segurança e saúde ocupacional.
Questões como assédio moral, assédio sexual, sobrecarga excessiva de trabalho, ambientes organizacionais tóxicos, conflitos recorrentes e situações geradoras de estresse passaram a receber atenção cada vez maior dos órgãos fiscalizadores e do próprio Poder Judiciário.
E aqui existe um aspecto que merece reflexão.
Muitas empresas acreditam que estão protegidas apenas porque não receberam denúncias formais ou porque nunca enfrentaram uma reclamação trabalhista envolvendo esses temas. Contudo, a ausência de conflitos aparentes não significa, necessariamente, ausência de riscos.
Na prática, o que se espera das empresas é a adoção de medidas preventivas, políticas internas adequadas, treinamento de lideranças e mecanismos capazes de identificar e tratar situações de risco antes que elas se transformem em passivos trabalhistas.
O custo de implementar medidas preventivas costuma ser significativamente menor do que o custo financeiro e reputacional decorrente de uma condenação judicial ou de uma fiscalização desfavorável.
Por isso, vejo com preocupação empresas que ainda tratam a área trabalhista apenas sob uma perspectiva reativa, atuando apenas quando surge uma reclamação, uma fiscalização ou um problema concreto.
A legislação trabalhista tem caminhado em direção a um modelo cada vez mais preventivo. E essa tendência não deve ser ignorada.
Assim como ocorre na área tributária, as empresas que se antecipam às mudanças normalmente conseguem reduzir riscos, fortalecer sua governança e tomar decisões mais seguras.
No final das contas, a discussão não está apenas na jornada de trabalho, nas normas regulamentadoras ou nas obrigações legais que poderão surgir. A verdadeira questão é compreender que a gestão de pessoas passou a ser um dos principais fatores de redução de riscos e de sustentabilidade dos negócios. E quanto antes as empresas perceberem isso, melhores serão os resultados.
Nós, do escritório Abrahão e Campos Sociedade de Advogados, contamos com uma equipe altamente qualificada para auxiliar sua empresa na adaptação a esse novo cenário, com uma atuação estratégica voltada à prevenção de riscos e à tomada de decisões seguras.
Conte sempre conosco!
Um abraço!
Equipe Abrahão e Campos.