Muito se fala sobre a Reforma Tributária e sobre os possíveis impactos que ela poderá gerar para as empresas. Naturalmente, uma das maiores preocupações dos empresários é saber se haverá aumento da carga tributária e como isso afetará a rentabilidade do negócio.
Embora essa preocupação seja legítima, tenho observado que muitas empresas estão direcionando sua atenção para o lugar errado.
Na prática, o maior risco da Reforma Tributária pode não estar propriamente no valor dos tributos que serão pagos, mas na falta de preparação para as mudanças que já começaram a acontecer.
Durante muitos anos, as empresas se acostumaram a operar dentro de um sistema tributário extremamente complexo, marcado por diferentes tributos, inúmeras obrigações acessórias e frequentes discussões sobre interpretação da legislação. A proposta da Reforma Tributária é justamente simplificar parte desse cenário. Entretanto, simplificação não significa ausência de impactos.
Pelo contrário!
A implementação do IBS e da CBS exigirá das empresas uma revisão profunda de processos internos, sistemas de faturamento, políticas comerciais e até mesmo dos contratos firmados com clientes e fornecedores.
E é justamente nesse ponto que muitos empresários ainda não perceberam a dimensão da mudança.
Quando converso com clientes, é comum encontrar empresas que acreditam que a adequação à Reforma Tributária será uma responsabilidade exclusiva da contabilidade ou do departamento fiscal. Contudo, a realidade é que os reflexos da nova sistemática ultrapassam essas áreas e atingem diretamente a gestão do negócio.
A forma como os contratos são redigidos, a previsão de reajustes, a definição sobre quem suportará determinados custos tributários, a análise da cadeia de fornecedores e a estruturação das operações comerciais passarão a ter ainda mais relevância nos próximos anos.
Além disso, 2026 já é um ano decisivo para as empresas que desejam realizar essa transição de maneira organizada.
Os próximos meses devem ser utilizados para mapear riscos, revisar documentos, avaliar impactos financeiros e promover os ajustes necessários para que a empresa esteja preparada para a nova realidade tributária.
Um ponto que merece atenção especial envolve as empresas optantes pelo Simples Nacional. Muitas delas precisarão avaliar estrategicamente os reflexos da opção relacionada ao IBS e à CBS, uma decisão que poderá influenciar não apenas a tributação da própria empresa, mas também sua competitividade perante clientes e parceiros comerciais.
E aqui existe um aspecto que considero fundamental.
A análise não deve se limitar à comparação entre alíquotas ou ao cálculo de quanto será pago de tributo. É necessário compreender como a empresa está inserida no mercado, quem são seus clientes, quais créditos poderão ser aproveitados ao longo da cadeia econômica e quais efeitos essas mudanças poderão gerar sobre a formação dos preços e sobre as margens de lucro.
Em outras palavras, a Reforma Tributária não deve ser encarada apenas como uma questão fiscal. Ela deve ser tratada como uma questão estratégica.
Empresas que aguardarem a implementação definitiva das novas regras para iniciar sua adequação provavelmente enfrentarão custos maiores, maior insegurança jurídica e menos espaço para planejamento. Por outro lado, aquelas que começarem a se preparar desde agora terão melhores condições para identificar oportunidades, corrigir vulnerabilidades e tomar decisões mais seguras.
A experiência demonstra que os maiores passivos empresariais raramente surgem de uma única grande decisão equivocada. Na maioria das vezes, eles decorrem da soma de pequenas omissões que poderiam ter sido evitadas com planejamento.
Por isso, mais importante do que acompanhar as notícias sobre a Reforma Tributária é compreender como ela impactará a realidade específica da sua empresa.
Afinal, quando as mudanças estiverem plenamente implementadas, o momento de se preparar já terá passado.
Nós, do escritório Abrahão e Campos Sociedade de Advogados, contamos com uma equipe altamente qualificada para auxiliar sua empresa na adaptação a esse novo cenário, com uma atuação estratégica voltada à prevenção de riscos e à tomada de decisões seguras.
Conte sempre conosco!
Um abraço!
Por Thales Abrahão de Campos.